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Archive for the ‘fora de tópico’ Category

Por cá ignora-se a constituição, à laia de ganhar pontos para a próxima eleição (leia-se o PS, partido do governo). Aquilo que é negado é, pura e simplesmente, a igualdade perante a lei e a sociedade. A uma minoria, claro.

Como já tanta gente disse, o direito de casar com uma pessoa do mesmo sexo não diminui em nada os direitos dos outros e muito menos vai contra a dignidade do casamento civil. Vai, sim, contra a possibilidade de duas pessoas do mesmo sexo celebrarem, e oficializarem, a ideia de família.

E não venham com a triste ladainha de que este é um tema pouco debatido, e muito menos pouco importante. Só diz isso quem nunca sentiu na pele a negação de um direito que é dado a outros… mesmo que pague os mesmos impostos e cumpra as mesmas obrigações sociais.

Mas, enquanto por cá se ignoram direitos, mais longe — no estado americano do Connecticut — o Supreme Court estadual legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Muitos passam a usufruir desse direito.

Costumo dizer que os EUA têm do melhor e do pior. Em Portugal, com algumas importantes excepções, temos uma mediania entristecida, muito em especial na classe política. E um grupo parlamentar socialista que mais parece saído do tempo da velha senhora.

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A desoras, mas cá em casa ainda andamos com jet lag.

Vi-o, não na televisão, mas no iMac através de uma aplicação muito bem esgalhada, de nome Livestation, gratuita, e excelente para quem, como eu, teima ainda em não ter televisão por cabo. Ao lado tinha alguns blogues abertos, conjuntamente com o twitter/elections. Digamos que este último arrancou-me algumas boas gargalhadas, a par de alguns momentos de horror com a estupidez chapada dos comentários.

Mas enfim… o que achei do debate? Achei que a Sarah Palin esteve melhor ali que nos restantes momentos mediáticos da semana (falo, no essencial, da famosa entrevista a Katy Kuric). É claro que isto não é extraordinariamente abonatório, pela simples razão que esses momentos anteriores foram muito, muito maus. Mas enfim, no meio de um infindável rol de frase visivelmente construídas e coladas a cuspo (como se diz, em especial em gíria educacional), lá se ouviram algumas coisitas relativamente decentes. Contudo, é também mais que visível a sua falta de preparação para o cargo. A senhora tem uma boa presença em público (i.e., é bonita e carismática), mas o seu domínio de temas é muito circunscrito. O melhor dela talvez tenham sido não cometer enormes asneiras e surgir como genuína (americana do Alaska), apesar de muito pouco experiente. Sorrir, dizer algumas piadas, falar da sua vida no Alaska e ser amigável para Joe Biden (lembremos que o seu colega… o seu chefe de equipa, John McCain, foi extremamente hostil e mal-educado no debate da semana passada com Barack Obama) bastaram para melhorar a (péssima) ideia que dela existia. Duvido, contudo, que tenha bastado para apelar ao voto dos indecisos.

E Joe Biden? Bom, para mim mostrou-se a melhor surpresa até agora destes 2 debates. No debate presidencial Obama/McCain, eu desgostei profundamente do McCain (ao ponto de me dar nojo olhar para ele, em especial pela sua postura) e não gostei por aí além da performance do Obama (achei-o calmo, extremamente civilizado, mas pouco acutilante). No debate de ontem, pelo contrário, passei a entender um pouco mais a Sarah Palin (ideias com as quais pouco ou nada me identifico, fixadas em inexperiência a par de uma enorme dose de simpatia) e a gostar de Joe Biden. Biden foi educado (em especial com a adversária), simpático (digam o que quiserem, o senhor tem um sorriso fabuloso), e — em especial — extremamente bem preparado em todas as questões, desde os direitos dos gays e lésbicas aos temas internacionais. Respondeu a todas as questões postas, de forma bem estruturada, atacando directamente John McCain.

A determinada altura apanhei-me a pensar que o Biden (com base apenas no debate de ontem) seria um bom presidente dos EUA. E certamente será um vice-presidente capaz e, muito provavelmente, essencial para Barack Obama nas questões de política externa. Não é à toa que os dois melhores momentos da noite são seus.

Num ataque às propostas de McCain para o Plano de Saúde (nota: o esquema de saúde nos EUA é talvez dos processos socialmente mais chocantes que vi até hoje):

So you’re going to have to place — replace a $12,000 plan with a $5,000 check you just give to the insurance company. I call that the “Ultimate Bridge to Nowhere.”

E o desmantelar da imagem de John McCain como maverick:

Look, the maverick — let’s talk about the maverick John McCain is. And, again, I love him. He’s been a maverick on some issues, but he has been no maverick on the things that matter to people’s lives.

(… rol de razões, bem apontadas, pelas quais John McCain não é um maverick)

So maverick he is not on the important, critical issues that affect people at that kitchen table.

A transcrição dos debates pode ser lida na CNN.com. E, já agora — as sondagens (nomeadamente a da CNN) dão o Biden como vencedor, apesar da Palin ter excedido as (muito baixas) expectativas.

Durante os próximos dias, logo veremos como o debate influenciou, ou não, as intenções de voto nos estados considerados cruciais, como o Michigan, o Winsconsin, a Florida, a Virgínia, o Ohio, o Nevada ou New Hempshire… (onde a candidatura Obama/Biden tem actualmente, na maioria dos casos, alguma vantagem).

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Note-se também que acho que a política nacional portuguesa é tão má ou pior que a americana. Mais, estou particularmente auto-satisfeita por não ter votado no partido que está no governo. (E entristecida porque tive muitíssima razão em não o fazer.) Por muitos motivos, mas em particular pelo triste comportamento em todo este processo da discussão (e votação) dos projectos que contemplam o acesso ao casamento civil a pessoas do mesmo sexo.

Diga-se que, para quem não sabe, o PS impõe a todos os seus deputados a obrigatoriedade de votarem contra esses projectos. Escuda-se num proclamado momento errado de debate para este tema… porque é fracturante, porque não consta do programa de governo… blá, blá, blá…

Enfim, porque se trata de uma minoria, e as minorias não interessam nada, não é?

Pensava eu que o cumprimento da constituição deveria ser prioridade de qualquer governo.

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Para quem tem curiosidade em ver o papelinho, aqui fica:

E o pormenor:

Note-se que o voto não é meu, mas tenho um gostinho especial em pensar que cá em casa contribuímos para o fim (espero eu) do reino das bananas republicanas. 🙂

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Paul Newman (1925-2008)

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(Okay. Não aguento… tenho que dizer qualquer coisa.)

Após os desastrosos comentários de McCain sobre a Espanha (aquele país situado na América Latina, cujo presidente é um gajo zapatista), resta-me pensar que a sua campanha fez muito bem em escolher a Sarah Palin como candidata a VP.

Quando a senilidade do tão experiente senador (em especial em política externa) se tornar por demais evidente, os destinos do mais poderoso país ficarão nas mãos da Senhora Palin que está mais que preparadíssima para ser (vice-)comandante-em-chefe (ela nem pisca os olhos face a tão árdua tarefa): pode corrigir a economia com injecções de crude do Alaska, até porque ela consegue ver o Banco de Wasilla da sua casa (fica mesmo em frente da Rússia, sabem?).

Nota final: aconselho vivamente que sigam o link do «pisca os olhos». A sério.

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casamento a sério

Finalmente, após anos de gaveta, parece que o casamento entre pessoas do mesmo sexo vai ser debatido na Assembleia da República.

Fonte: Público

A minha posição: absolutamente SIM! Como a nossa Constituição defende há já muitos anos no seu artigo 13.º (n.º 2):

Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

E repesco o que já disse noutro post:

Em 2004 Andrew Sullivan (também autor do blog The Daily Dish) escreveu na Time um extraordinário texto sobre o significado da palavra C.

C de Casamento.

Entre eles e elas, entre elas e elas e entre eles e eles.

When people talk about gay marriage, they miss the point. This isn’t about gay marriage. It’s about marriage. It’s about family. It’s about love. It isn’t about religion. It’s about civil marriage licenses. Churches can and should have the right to say no to marriage for gays in their congregations, just as Catholics say no to divorce, but divorce is still a civil option. These family values are not options for a happy and stable life. They are necessities. Putting gay relationships in some other category–civil unions, domestic partnerships, whatever–may alleviate real human needs, but by their very euphemism, by their very separateness, they actually build a wall between gay people and their families. They put back the barrier many of us have spent a lifetime trying to erase.

Sugiro a leitura do resto do texto do Sullivan. Merece a pena.

E não, como o Sullivan acima diz, o significado de C não é igual ao de união civil ou registo de união. E muito menos o é em relação à união de facto. (Para que não acreditem quando por aí dizem que é tudo a mesma coisa e que está tudo bem como está.)

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