A Paula Simões incita-me a falar de Cinco Filmes à minha escolha. É um facto que sou uma cinéfila semi-adormecida (quero com isso dizer que gosto muito de cinema e gostaria de ter mais tempo para usufruir dele) e que, por isso mesmo, esta é uma tarefa ingratamente aliciante.
Lembro com um sorriso as inúmeras vezes que levei o meu primo mais novo ao cinema e de como essa saída de sexta-feira ou sábado se tornou uma tradição até ao momento em que deixei de viver em Lisboa.
Mas, divago… Escolher cinco filmes não é fácil. Não quando poderiamos falar facilmente de 10 ou 20 ou até 50. Contudo, o desafio de escolher apenas 5 torna a questão mais interessante, apesar de — com quase toda a certeza — daqui a um mês eu escolher outros. (Os meus gostos modificam-se conforme os momentos.)
Gata em Telhado de Zinco Quente

A primeira vez que vi este filme (MGM, 1958), numa altura em que a RTP 2 era reconhecidamente um canal de clássicos, fiquei abismada. Apesar dos temas sexuais da peça de Tennessee Williams (em que o filme é baseado) terem sido muito limitados pela vigência do código Hays (1930 – meados de 1960s), este filme é de uma beleza carnal impressionante. Para mim, ainda hoje, é o melhor filme de Elizabeth Taylor e (talvez de) Paul Newman. As insinuações, a frontalidade da acção, a absoluta beleza dos actores principais… tudo isso me fez olhar de modo diferente as relações familiares e, principalmente, as sexuais.

Este filme, paradoxalmente, abriu-me também os olhos para o teatro, algo que até então (eu teria talvez 13-14 anos) me era bastante indiferentes. Tennessee Williams é, claro, um dos meus dramaturgos favoritos.
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Um filme de geração (Ima Films, 1994) sobre a passagem da adolescência para a idade adulta e tudo o que implica: das amizades aos sonhos, passando pelo lento e doloroso assentamento na vida real. André Téchiné no seu melhor.
Vi-o, pela primeira vez, no cinema Nimas em Lisboa. Acho que chovia nesse dia e soube-me muitíssimo bem. 🙂

Mais um clássico (MGM, 1939), também visto na RTP 2 pela primeira vez. Este tem a fabulosa Garbo. Mais: a Garbo, normalmente dramática e séria, dava lugar à “Garbo que ri”. Poucas actrizes “roubam” as cenas como Garbo fazia. E esta estória, à beira da 2ª Grande Guerra, com sovietes, capitalistas e “mini-cameo” nazi ainda hoje me faz rir. Em especial a primeira parte, porque quando Ninotchka ser torna uma mulher comum, mais capitalista e pseudo-enamorada, o interesse quase que esvai. Ah, mas a primeira parte é um encanto.

E vivam os Sovietes! 😉

Estreiou no Eden em 1941 e é considerado por muitos o melhor filme de Lopes Ribeiro.
Ah, belas memórias, que me lembram os meus avós. O Ribeirinho a dizer junto a um relógio: “tatão-tatão-tatão…” A encenação do “Nem tu, velha carcaça, escaparás…”, dirigida pelo Vasco Santana. E o bagacinho a descer por um atilho.

Este filme de Ang Lee é difícil de ver (Alberta Film Entertainment/Universal, 2005). Difícil porque sabemos desde o início de que se trata de uma paixão que está condenada a viver escondida e porque se trata de um amor sem fim feliz. Mais do que isso, fala de homofobia e da (auto?) negação da possibilidade de ser feliz.
Ang Lee fez um trabalho notável a partir de uma pequena história de Annie Proulx. Eu, que li também a história, fiquei abismada com a sua crueza. Ang Lee fez o filme mais subtil e, como tal, menos difícil de ver.
De todas as interpretações a mais notável (e tocante) é a de Heath Ledger que se assume neste filme como um enorme actor. Basta ver a sua postura ao longo do filme e os seus olhos: tudo nos grita solidão.
Um filme corajoso que, como dizia Lee, nunca poderia ganhar os Óscares, mesmo que o seu realizador fosse premiado. Acertou.
(Uma curiosidade: em Portugal foi classificado como para M/12 anos, na Polónia — reduto infeliz da Europa ultra-conservadora — a classificação foi de M/18. Apesar de tudo temos acontecimentos infelizes como o da Visão e da campanha imbecil da cerveja Tagus numa de “Orgulho de ser Hetero”.)
A quem passo a batata-quente? À Jonas, ao Tiago Farrajota, ao Mário Lopes e ao João Martins.






[…] Maria João Valente atirou-me a batata quente.. e eu aqui estou com ela nas mãos! Gosto de filmes “do povo”, por isso a minha lista […]
Já agora: 🙂
Fight Club – David Fincher
Life of Brian – Monty Python
A Viagem de Chihiro – Hayao Miyazaki
Senhor dos Anéis (a triologia) – Peter Jackson
Dune – David Lynch
Definitivamente os últimos dois, embora também goste dos primeiros três. 🙂
Muito bem post e um delicioso fait-divers neste blog do mundo Mac. Isto de falar só de Macs já não é o que era e a Macworld ainda demora a chegar…
Bom sobre os filmes escolhidos nada a acrescentar, os mais antigos acho que já os vi a todos. O Brokeback Mountain gostei muito, vi-o no já extinto Lusomundo Premium e da primeira vez que o estava a ver parei de o ver a meio por minha vontade pois não me estava a cair bem. Da segunda vez vi-o num inicio de madrugada e admito que adorei o filme. Acho-o subtil, discreto e contido na abordagem ao tema homo no tom certo. Ang Lee conseguiu depurar uma história nos dias de hoje ainda delicada mas com mestria , revelou os vários horizontes e a afectação às outras personagens de uma forma para mim bem tratado e foi apartir daí que o filme se revelou para mim como algo mais do que a fama que trazia dos tais “cowboys-gay”. É um filme marcante e expõe cruamente aquilo que a sociedade em geral não aceita.
Já que entraste neste tema dos filmes e sem querer abusar, lanço-te um desafio mais objectivo.
O desafio é igual ao que já me fizeram a mim, pelo que to passo para dares seguimento (se o entenderes) a este movimento nos blogs.
Pensa num tema à tua escolha e reúne em torno desse tema 3 filmes que para ti o podem representar bem.
Depois tens de publicar um post e argumentar o porquê da tua escolha.
Se quiseres podes dar uma vista de olhos no meu resultado e quem sabe seguir a genealogia de onde esta ideia surgiu.
http://armpauloferreira.blogspot.com/2007/10/transposio-da-bd-para-cinema.html
[…] me pôs nesta cadeia foi, simultaneamente, a Maria João Valente e o Marcos Marado e a ideia é destacar cinco filmes. Não exactamente os cinco filmes preferidos […]
estes filmes que aqui estam nao gosto de nenhum…
só gost filmes de high school musical e 2
[…] Querido Ribeirinho no seu “ta-tão-ta-tão”. Já dele falei aqui. […]