Hoje, uma pequena notícia no DN (versão impressa, que li no único café em Alte com ligação wireless) chamou-me a atenção: segundo uma sondagem recentemente realizada pela Harris Interactive e pela Innovation International Media Consulting Group as fontes mais utilizadas para leitura de notícias tendem a alterar-se ainda mais nos próximos anos, com a Web a crescer de importância em relação à tradicional imprensa escrita.
A sondagem abrangeu mais de 8.500 pessoas em sete países: EUA, Grã-Bretanha, França, Itália, Espanha, Alemanha e Austrália. As perguntas focaram a credibilidade dos jornais, o seu papel na sociedade, as versões online dos mesmos, actualmente e no futuro.
As principais conclusões, sobre onde as pessoas procuram informação e notícias, são as seguintes:
- As notícias e informações online ganharam significativa importância (nomeadamente os blogs).
- No inverso a televisão perdeu significativa importância. A tendência parece não se alterar.
- Os jornais também baixaram a imprtância, mas menos.
- Rádio continua relevante, com pequena descida.
- Notícias por cabo subiram um pouco.
- As revistas são importantes para o entertenimento, mas não para as notícias e informação.
O relatório sugere algumas mudanças de estratégia para os media tradicionais: mais objectividade, maior cobertura de notícias mundiais (versus locais), reportagens com maior profundidade e mais analíticas e melhor design. Necessidade de melhorar a qualidade do tempo que o leitor leva a ler (o tempo não aumenta, mas a qualidade desse mesmo tempo pode e deve aumentar). A televisão perde terreno, mas os jornais podem continuar a ser um dos principais focos de notícia, como organizadores das mesmas.
É particularmente interessante ler a diferença nos países focados. Mas deixo isso para os leitores que quiserem fazer o download do PDF “Newspaper Readership Survey” aqui.
Em conversa com vários amigos norte-americanos, muito deles me confessaram que recorrem aos blogs e aos jornais locais ou mais vanguardistas para versões diferentes das mesmas notícias ou para notícias que não são tornadas visíveis pelos jornais corporativos de grande tiragem. (Nomeadamente para notícias fora dos EUA.) Mais, consideram a televisão uma fonte pouco credível e com tendência sensacionalista. É claro que, todavia, esta continua a ser um dos principais medias requisitados pelo americano médio (ao qual os meus amigos não pertencem — são muito mais subversivos!).
Por cá vejo as mesmas tendências. Começando por mim. Há meses que não vejo televisão, com excepção do ocasional DVD (ou seja, notíciários televisivos: nada!). Se observar as últimas compras (ou leituras) de jornais impressos noto que só leio dois jornais portugueses: o Público e o DN. Gosto mais do Público pela sua secção internacional, apesar de considerar o DN melhor em artigos de opinião (apanha todos os quadrantes, cores e gostos). O Expresso, deixei de ler há uns anos… daquelas folhas todas acabava por ler menos de metade; o resto era tendencioso e mal escrito. Se calhar melhorou, mas nunca me deu para comprar novamente; provavelmente continuará assim.
Fora isso compro de quando em quando o The Guardian e o The Times (London); acho o segundo mais interessante na sua versão impressa. Já o The Guardian tem uma excelente versão online.
Leio também, de quando em quando, o Courrier Internacional e o Mundo Diplomático. Merecem a pena pelo apanhado geral de notícias sobre todo o mundo (vão aos países mais negligenciados nos jornais tradicionais).
Agora, isso sim, as versões online de jornais ou revistas, e principalmente os blogs, têm ganho crescente importância nos meus hábitos de leitura (sejam portugueses, sejam ingleses, americanos, franceses ou espanhóis). Focam com muito mais atenção os meus temas de eleição: ciência, arqueologia, tecnologia, Macintosh, literatura, política, etc. São quase todos gratuítos e acabo por ler apenas aquilo que me apetece (i.e. quero lá saber das 10 páginas de notícias em jornais sobre o desporto F ou o desaparecimento da pessoa X, ou do último escândalo da distrital do partido Y, ou o que o renascido político W disse ontem à saída da reunião Z).
Continuo a ler jornais impressos, mas não tão assiduamente como o fazia há anos. Agora recorro essencialmente aos RSS disponíveis (mesmo que, por vezes, tenha que ir a website respectivo onde tenho que aturar aquela horrível publicidade psicadélica; enfim, eles têm que sobreviver de algum modo). E blogs, muitos blogs.
Nos jornais continuo a gostar dos artigos de opinião… até quando me irrito com os mesmos. Deve ser por isso que gosto de blogs. É a personalização da globalização. E a busca do tempo que não quero perdido.





